Maria Selma e Afrânio

As terras da Fazenda Recanto Machado, que hoje produzem uma média de 5 mil sacas de café por ano, cultivam o grão desde 1896. Agora, a quarta geração dita os rumos do negócio que alia tradição e modernidade.

A história da Fazenda Recanto Machado é antiga. Ela remonta ao século XVIII, quando o Brasil ainda era colônia de Portugal e se dividia em capitanias. Nessa época, o capitão-mor Custódio José Dias e seus familiares visitaram o vilarejo que daria origem à cidade de Machado, no sul de Minas Gerais, gostaram do local e decidiram se mudar de São João Del Rey para lá. Um casal de sobrinhos do capitão – Quitéria Josefa da Silva e Misael de Souza Magalhães – comprou terras na região e fundou a Fazenda São Luís, de onde mais tarde seria desmembrada a Recanto Machado.

O primeiro Livro de Lançamento do Imposto Especial do Café do Município de Machado mostra que o cultivo do grão na fazenda teve início em 1896. Nessa época, o bisavô de Maria Selma, Olímpio de Souza Magalhães, tomava conta da administração. Mais tarde, em 1916, as terras foram divididas entre seus três filhos. A parte que ficou com Lázaro Cândido Magalhães recebeu o nome atual.

Na década de 1930, a cidade, conhecida por seu solo fértil e propício ao cultivo de café, inaugurou a filial do Banco Mineiro de Café e a atual Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig). Machado também foi palco do início de uma campanha nacional de cafés finos, capitaneada por Assis Chateaubriand, empresário e jornalista, e Juscelino Kubitschek, então governador de Minas e futuro presidente do Brasil. “Entre tantos acontecimentos, em 1932 meu avô ganhou um prêmio mundial de melhor café, comprovando a qualidade do grão produzido na região”, conta a produtora.

Em 1932 meu avô ganhou um prêmio mundial de melhor café, comprovando a qualidade do grão produzido na região.

-Maria Selma Magalhães Paiva

Em 1952, após a sua morte, a Recanto Machado passou para as mãos da mulher de Lázaro Magalhães e seus cinco filhos, ficando sob a administração do mais velho, José Thales Magalhães, pai de Maria Selma. Nos anos em que esteve à frente do negócio, ele instalou novos equipamentos para beneficiar o café e fez diversas melhorias, tanto para a produção quanto para a comunidade do entorno.

Após se formar em agronomia, em 1985, a produtora e o marido, Afrânio José Ferreira Paiva, se mudaram para a fazenda. No entanto, só assumiram o comando dez anos depois, quando seu pai faleceu. Atualmente, sua filha do meio, Paula, formada em comércio exterior, participa do negócio e tem ajudado com a gestão dos processos. “A união de nossos esforços tem resultado em uma produção média anual de 5 mil sacas de cinco tipos de grãos”, conta.

A união de nossos esforços tem resultado em uma produção média anual de 5 mil sacas de cinco tipos de grãos

Além de garantir a qualidade do café que leva a marca Recanto Machado, a produtora tem grande preocupação com o equilíbrio do ecossistema. Dos 439 hectares da fazenda, 38% são mantidos como Área de Preservação Permanente (APP). O reflexo dessa política é o aumento da biodiversidade no local e a conquista da certificação internacional Rainforest Alliance, que atesta a sustentabilidade da propriedade. Ainda na parte ambiental, é feita a coleta seletiva e está sendo desenvolvido um projeto para recolher o lixo reciclável das escolas municipais de Machado.

“Também estamos sempre atentos à qualidade de vida de nossos colaboradores, que são nosso maior motivo de sucesso”, enfatiza Maria Selma. O suporte ocorre por meio de atendimento médico uma vez ao mês e campanhas de vacinação regulares. A parceria feita com o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) também tem contribuído na capacitação de todos que trabalham na propriedade e de seus familiares.

v.1.0.3005 (19/07/2019)